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Quando o Medo Sufoca

15 agosto 2014 / Reflexões, Vida Cristã / Comente

Na primeira semana desse mês tivemos umas férias em família, numa cidadezinha da Bélgica, na região das Ardenas, chamado Trois Ponts. Bem linda essa região.

Todo dia tínhamos uma atividade diferente e uma dessas atividades era visitar uma gruta ou caverna, não sei.
Só sei que era embaixo da terra.

Claro que, claustrofóbica que sou, meu primeiro pensamento foi: “Vou ter uma crise de claustrofobia e fazer escândalo na frente de todo mundo!”  Fiquei preocupada e imaginando mil cenários. Cada um pior do que o outro e em todos eu tinha crises incontroláveis.
Finalmente chegou o dia e quando chegamos na entrada da gruta, minha respiração ficou mais curta e a palma da mão começou a suar. Senti enjôo e olhei para trás, pensando em voltar.


De repente um pensamento passou pela minha cabeça: Deus está comigo. De que terei medo?
Se faltar ar, faltou. Se desabar a montanha sobre a minha cabeça, desabou. Se conseguir sair daqui, saí. Pronto. Simples assim.
Nada foge do controle de Deus. Seja o que for que aconteça, minha vida está em Suas mãos. Ele sabe o que é melhor para mim e Seus atos para comigo são de amor.


Tá, parece bobagem. É só uma gruta, eu sei. Super segura. Centenas de turistas vão lá todos os dias.
Você pode pensar “essa guria tá viajando”.
Mas claustrofobia é um medo muito real. E eu decidi dar esse passo com o meu Pai.

Andando por aqueles corredores estreitos, abafados e escuros, comecei a pensar na minha vida.
Não tem momentos assim?
Onde nada me garante que o ar não vai faltar, que as pedras não desabarão sobre a minha cabeça?
Medo sempre temos. Mas é o que fazemos a respeito dele que realmente faz diferença na nossa vida.


Posso me entregar ao medo e sair correndo pela entrada da gruta, chegar na luz, no espaço aberto, onde é seguro e tomar um ar, encher os pulmões e me sentir segura de novo. Mas se fizer isso, o medo me vencerá. Tomará boa parte do meu ser. Deixarei de ver a beleza em meio à escuridão. Deixarei de viver esse momento tão especial, só reservado para meu Pai e eu. Deixarei de crescer.

Penso na minha vida agora. Mudei de país, deixei para trás tudo o que me era familiar: minha língua, minha cultura, minha família, minha igreja e estou aqui, começando do zero.
Assustador?
Você nem imagina o quanto!
Reaprender a fazer as coisas mais simples do dia a dia, saber apenas algumas poucas palavras da língua, como se tivesse 2 anos de idade e se sentir incompreendida algumas vezes (muitas vezes).
Tantos desafios!
Não seria mais fácil correr para a entrada da gruta e tomar um ar e ver a luz e me sentir segura?
Mas me lembro que minha segurança está Naquele que segura a minha mão enquanto caminhamos por esse caminho desconhecido e por vezes escuro, abafado, estreito.

Certa vez ouvi alguém falar sobre o Salmo 23 e foi um divisor de águas na minha vida. Sempre penso nisso quando sinto medo.
“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte”.
Como essa ovelha foi parar nesse vale sombrio e escuro?
O Pastor se descuidou e a ovelha foi sozinha lá?
O Pastor foi pego de surpresa e agora precisa correr e dar um jeito de salvar essa ovelha atrapalhada?
Ele não sabe o que acontece com a sua ovelha?
Ele abandonou-a num caminho de medo e escuridão?
“Não temerei mal algum, porque Tu estás comigo.”
Não esse Pastor.
Ele é o Bom Pastor.
Foi Ele mesmo quem guiou-a até lá.
Ele anda junto com Sua ovelha pelo vale mais sombrio e amedrontador.
O Bom Pastor nunca deixa Sua ovelha sozinha. Nem nos momentos mais escuros.
E o Pastor que guia Sua ovelha pelo vale da sombra da morte, é o mesmo que a ‘guia mansamente a águas tranquilas’ e ‘faz deitar em pastos verdejantes’.
Muda a perspectiva, não é mesmo?

Sei que Deus conhece meus medos um a um. Nada fica escondido Dele. E é enfrentando esses medos, na certeza de que Ele anda comigo, que eu cresço, que eu aprendo.

Enfim, tivemos um passeio super legal em família, vimos obras de arte esculpidas na rocha, embaixo da terra, trabalho de  milhares (ou milhões?)  de anos, obras de um Deus criativo e amoroso que estava ali conosco. E eu deixei meu medo ali na entrada daquela gruta, nas mãos do meu Pai, do meu Bom Pastor.

 

Ainda tenho medo?
Certamente!
Muitos!
Centenas deles!
Mas um por um, na hora certa, deixo nas mãos do meu Bom Pastor.

 

 


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